domingo, 26 de outubro de 2008

Silêncio II

Para aqueles que se encontram inundados com respostas prontas e automáticas, presos ao diálogo neurótico, perto do que quer ser, mas longe do que se é... O silêncio pode falar melhor.

O silêncio é tolo quando somos sábios, mas é sábio quando somos tolos.
(Charles Caleb Colton)

SILÊNCIO
Pense em alguém que seja poderoso...Essa pessoa briga e grita como uma galinha, ou olha e silencia, como um lobo?Lobos não gritam.Eles têm a aura de força e poder.Observam em silêncio.Somente os poderosos, sejam lobos, homens ou mulheres, respondem a um ataque verbal com o silêncio.Além disso, quem evita dizer tudo o que tem vontade, raramente se arrepende por magoar alguém com palavras ásperas e impensadas.Exatamente por isso, o primeiro e mais óbvio sinal de poder sobre si mesmo é o silêncio em momentos críticos.Se você está em silêncio, olhando para o problema, mostra que está pensando, sem tempo para debates fúteis.Se for uma discussão que já deixou o terreno da razão, quem silencia mostra que já venceu, mesmo quando o outro lado insiste em gritar a sua derrota.Olhe.Sorria.Silencie.Vá em frente.Lembre-se que há momentos de falar e há momentos de silenciar.Escolha qual desses momentos é o correto, mesmo que tenha que se esforçar para isso.Por alguma razão, provavelmente cultural, somos treinados para a (falsa) idéia de que somos obrigados a responder a todas as perguntas e reagir a todos os ataques.Não é verdade!Você responde somente ao que quer responder e reage somente ao que quer reagir.Você nem mesmo é obrigado a atender seu telefone pessoal.Falar é uma escolha, não uma exigência, por mais que assim o pareça.Você pode escolher o silêncio.Além disso, você não terá que se arrepender por coisas ditas em momentos impensados, como defendeu Xenocrates, mais de trezentos anos antes de Cristo, ao afirmar:"Me arrependo de coisas que disse mas jamais do meu silêncio".Responda com o silêncio, quando for necessário.Use sorrisos, não sorrisos sarcásticos, mas reais.Use o olhar, use um abraço ou use outra coisa para não responder em alguns momentos.Você verá que o silêncio pode ser a mais poderosa das respostas.E, no momento certo, a mais compreensiva e real delas.
(Aldo Novak)

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Postura existencialista

" Como o existencialista, também o gestaltista é uma pessoa incomodada e que incomoda, porque ambos vivem e possuem mensagens diretas, desinteressadas, descompromissadas. Como para o existencialista, também o gestaltista é a figura que se nega a submergir inconscientemente no mundo que a cerca. ele é, antes de tudo, um responsável por si mesmo. Sem ser um isolado, um egoísta, ele é alguém que, amando-se antes de qualquer outro, aprendeu que seu amor por si mesmo se transforma na sua própria medida de amar os outros." (Jorge Ponciano)

E a oração da gestalt, para expressar essa postura:

"Eu faço minhas coisas, você faz as suas
Não estou neste mundo para viver
De acordo com suas expectativas,
E você não está neste mundo para viver
De acordo com as minhas.
Você é você e eu sou eu
E se, por acaso, nos encontrarmos, é lindo
Se não, nada há a fazer"
(Fritz Perls)

quarta-feira, 15 de outubro de 2008

Xingue seu chefe

"Uma situação inacabada é toda experiência que fica suspensa até que a pessoa a conclua. A maioria dos indivíduos tem uma grande capacidade para situações inacabadas. Embora se possa tolerar uma quantidade considerável de experiências inacabadas, estes movimentos não completados buscam um complemento e, quando se tornam suficientemente poderosos, o indivíduo é envolvido por preocupações, comportamentos compulsivos, cuidados, energia opressiva e muitas atividades auto-frustrantes. Se você não xinga seu chefe no trabalho, mas gostaria realmente de fazê-lo, e então vai para casa e o faz com seus filhos, as probabilidades são de que isto não funcione porque é somente uma tentativa fraca ou parcial de terminar alguma coisa que de qualquer maneira ainda está suspensa, inacabada... Uma vez que a finalização foi alcançada e que pode ser experenciada plenamente no presente, a preocupação com o antigo não-completamento é resolvido e a pessoa pode caminhar para as possibilidades atuais." (Fritz Perls)

Isso é lindo!


domingo, 28 de setembro de 2008

Torna-te quem és...

"Um grão de trigo tem o potencial de se tornar uma planta e a planta de trigo é sua realização. Auto-realização significa que o grão de trigo se realizará como planta de trigo e nunca como planta de cevada. "

Há um lema
Mesmo que poucos possam ouví-lo
Ou simpatizem em seguir gritos de guerra
Faço-me ouvir por aqueles que querem ouvir
Quem quer algo, consegue
Mesmo coberto de vaidade ou de representações teatrais
Há ainda uma voz que usa o sistema contra ele próprio
E ao assumir essa voz, sinto-me desconfortável
Mas isso é só vaidade
Então, que seja útil de alguma forma

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Gestalt e movimento

Em níveis pequenos as gestalten abertas são completamente suportáveis... mas o efeito cumulativo das situações inacabadas pode criar uma crosta dura que aparece como resistência às mudanças. A quebra das barreiras, das crostas, implica em auto-esforço e liberação. É baseada nas filosofias orientais, principalmente o zen-budismo, que a gestalt se apóia enquanto filosofia de vida. É um auto-perceber-se em movimento. Mas o budismo gestáltico requer inclusão e experienciação de si-mesmo, principalmente das sombras, dos medos, daquilo que teimamos em não aceitar. A auto-aceitação é um processo de enfrentamento difícil, de quebra de padrões internos. A gestalt não é superficial apenas por não dar tanta importância às interpretações do inconsciente. A gestalt é profunda justamente por trabalhar o homem como ele é. Não como ele foi. Através dos enfrentamentos de situações resistentes é que a verdade vem à tona... uma verdade pessoal muito mais profunda, limpa, sem o nevoeiro das distorções que teimamos em criar.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Já Nelas

Tão somente trata-se de contemplar as janelas.

As portas estão todas lá, e nos dizem sem demora nenhuma aquilo que nos espera para além de sua passagem. As portas são as primeiras e mais visíveis entradas; o esperado que cansado de tanto esperar, já se mostra. E mostra-nos, sem culpa e meia-culpa, a paisagem construída e óbvia do que seja uma sala de visitas.

Nas salas de visita, os visitantes são sempre aguardados de alguma maneira. Os visitantes visitam, e uma visita há de sempre ser esperada, por mais remota que seja a possibilidade d´ela aparecer. Porque as visitas apenas adentram aos recintos pelas portas; porque as visitas tocam as cigarras, batem palmas, assoviam ou gritam para anunciar sua presença. O que poderia ser surpreendente desaparece.

O anúncio anterior de uma chegada, já elimina naturalmente qualquer possibilidade de ela existir. As portas representam a morte das chegadas, o fim abrupto de todo o aparecimento e do mistério saboroso que pode envolver todo conhecimento imprevisto. Não se fala “apareceu pela porta”, mas sim “entrou pela porta”. As possibilidades se fecham com o lento escancarar-se de todas as portas. Damos de cara não com alguma coisa que nunca foi vista pelos nossos olhos, mas sim com uma esperada sala de visitas.

Sofás e cadeiras muito silenciosas e desconfiadas em seu silêncio. Todos os móveis nos olham e fingem não nos ver. Os móveis de uma sala de visita, que tem sempre uma porta para alguma entrada prevista, são sempre arredios e indiferentes. As portas dão sempre para “integras” salas de visitas, e mesmo assim, insistimos sempre em procurá-las para se entrar em algum lugar.

Mas há sempre alguém a caminhar pela rua, desapercebido do trânsito dos carros, das brigas dos irmãos e dos sons das televisões de alguma coisa. Nunca este soube o que viria a ser uma porta. Toda vez que sente que deve entrar em algum lugar, olha com certa suavidade para o céu, e procura por uma janela.

As janelas são diferentes. Elas não escancaram uma boca, mas insinuam um sorriso; não gritam para serem vistas, mas sopram para serem sentidas.

O sopro de uma janela revela um cheiro oculto, uma música desconhecida, uma melodia que afaga, um travesseiro com muitas lágrimas soltas ou um caderno com muitas lágrimas presas. Essa misteriosa maneira de se entrar nos lugares, jamais dará para uma concreta sala de visitas, porque nunca se espera que uma visita entre pela janela. Uma janela espera intrusos, aquelas pessoas que carregam o dom dos mais curiosos e saltam para dentro. A porta pede-nos apenas alguns passos, mas a janela exige-nos sem remorso um pequeno salto.

As janelas, seja em que parte do mundo elas se encontrem, darão sempre para o saboroso e aconchegante mistério que todo quarto esconde; todos os suspiros encontram-se em um quarto. Não conheço janela que não vá dar em um quarto. Os quartos não são como as valsas da sala de visitas. Eles mesmos são uma dança sem nome; um lugar sem endereço. Existe paixão nas janelas; um silêncio que chama muito a atenção. Nunca vemos o que está por trás de uma janela e de sua eterna brincadeira com o mistério; sempre caminhamos por um delicado e cativante caminho de suposições. As janelas brincam com nossos significados. Se entrarmos por uma janela em qualquer sala de visita, ela deixará de ser uma sala de visita e será um límpido e desconhecido quarto; lugar de falas baixas e toques silenciosos...

Quanto a mim, deixo minhas portas sempre abertas, esbaforidas, nítidas escancaradas; mas as janelas, essas prefiro deixar delicadamente entreabertas..

Madrugada do dia 06 para o dia 07



By Clóvis

segunda-feira, 15 de setembro de 2008

Silêncio

Palavras da boca pra fora são barulho

a verdade fala por si